Dailson Rita, fundador da empreiteira Fernandes G-8, considerou que a construção civil em São Tomé e Príncipe atravessa uma fase de crescente valorização, porém enfrenta desafios estruturais como a falta de mão-de-obra qualificada e a falta de alguns materiais importantes para acabamentos.
Em entrevista à RSTP, o empreiteiro explicou que a decisão de regressar a São Tomé, após vários anos na diáspora, surgiu pelo desejo de contribuir para o desenvolvimento do país através do empreendedorismo.
Dailson, que já foi promotor de eventos, confessou ser um “apaixonado por acabamentos”.
“Foi o amor pela área […] a minha paixão pela área surgiu especificamente na área de acabamentos”, afirmou, sublinhando que a Fernandes G-8 surgiu da vontade de oferecer serviços de qualidade, com especial atenção aos acabamentos.
Durante a entrevista, Rita, que atua há vários anos na construção civil apontou como principais constrangimentos do setor a escassez de mão de obra qualificada, consequência da emigração de jovens em busca de melhores oportunidades, e a inexistência no mercado nacional de determinados materiais de construção, sobretudo produtos específicos para acabamentos.
“Senti a falta de mão-de-obra e sinto até agora, […] para realizar os trabalhos eu recorro ao pessoal de Angola que vem para São Tomé temporariamente, mas depois eles se vão e a escassez permanece” explicou.
Apesar dos desafios, Dailson Rita considerou que a construção civil tem vindo a ganhar maior reconhecimento e valorização em São Tomé e Príncipe, com um aumento gradual da procura por serviços mais especializados.
“Acho que a área tem vindo a ser valorizada sim. […] Na construção civil antes de mais, nós próprios temos que nos valorizar”, acrescentou.
O responsável mostrou-se otimista quanto ao futuro da sua empresa, afirmando que a expectativa é posicionar a Fernandes G-8, nos próximos anos, entre as referências do mercado nacional da construção civil.
“Eu quero ver a minha empresa daqui a alguns anos no topo”, vincou.
Na ocasião, deixou ainda um apelo aos jovens interessados na área, aconselhando-os a não se concentrarem apenas nos ganhos imediatos. “
É importante aprender a arte, mesmo que no início se ganhe pouco.É necessário dedicar para aprender e para quem pretende emigrar é melhor aprender alguma arte primeiro”, defendeu.
Dailson Rita incentivou igualmente aqueles que pretendem emigrar a investirem primeiro na formação técnica e no domínio da profissão, considerando que a qualificação é determinante para competir no mercado internacional.