A ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável, Nilda da Mata, defendeu uma maior participação feminina em espaços de liderança, ressaltando que, a participação ativa das mulheres pode contribuir de forma significativa para o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe, ao trazer novas perspectivas e maior sensibilidade social nos processos de decisão.
Em entrevista ao podcast “Mulheres na Liderança”, da RSTP, a governante sublinhou que o reforço da presença feminina em funções políticas e administrativas pode traduzir-se em avanços relevantes em várias áreas do país.
Segundo Nilda da Mata, as mulheres enfrentam ainda desafios estruturais e culturais, sobretudo na conciliação entre a vida profissional e familiar, uma vez que continuam a assumir grande parte das responsabilidades domésticas.
“É uma questão estrutural e cultural que levará tempo para alterar e facilitar um pouco a vida das mulheres, e eu também passo por isso”, afirmou.
Apesar dessas dificuldades, a ministra defendeu que as mulheres devem se posicionar e assumir responsabilidades em cargos de decisão, contribuindo para o bom funcionamento das instituições.
“É fundamental que cada uma de nós saibamos realmente nos posicionar”, acrescentou.
No exercício das suas funções, Nilda da Mata destacou também o desafio de equilibrar as áreas do ambiente, juventude e turismo sustentável, sublinhando que estes setores estão interligados e devem ser desenvolvidos de forma complementar.
A governante alertou ainda para os impactos das alterações climáticas em São Tomé e Príncipe, nomeadamente o aumento do nível do mar, a subida das temperaturas e a escassez de chuvas, fatores que têm afetado particularmente o setor agrícola.
“Se conversarmos com os agricultores poderemos ouvir deles, que não tem sido fácil nos últimos tempos trabalhar no sector agrícola”, frisou.
Como resposta, o Governo tem apostado em medidas de adaptação, incluindo a requalificação da marginal da capital, uma intervenção que, segundo explicou, visa proteger a zona costeira e infraestruturas contra o avanço do mar.
“A obra da marginal trata-se de uma proteção da zona costeira”, disse, reconhecendo críticas à componente estética da intervenção.
Nilda da Mata referiu igualmente que a designação de São Tomé e Príncipe como reserva mundial da biosfera reforça a necessidade de proteger e conservar a biodiversidade do país.
A ministra apelou ao envolvimento de toda a sociedade na defesa do ambiente, considerando tratar-se de “uma causa comum”, e manifestou confiança na execução dos projetos previstos pelo seu ministério até ao final do mandato.
Na mensagem final, incentivou as mulheres a persistirem perante as dificuldades.
“Que não desistam dos seus sonhos, que sejam confiantes e trabalhem para atingir os seus objetivos”, concluiu.