Espanha acionou tropas para reforçar o controlo das fronteiras e apoiar as operações de resposta após a chegada de milhares de migrantes às ilhas Canárias, numa nova vaga migratória que aumentou a pressão sobre os serviços de acolhimento e segurança, anunciaram hoje as autoridades.
Segundo informou a DW, as autoridades, pelo menos 60 mil migrantes atravessaram a fronteira de Marrocos para o enclave espanhol de Ceuta nos últimos dias, enquanto o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, chegava para gerir a maior crise migratória do país dos últimos anos.
O governo da Espanha anunciou nesta quinta-feira (30/07) que enviará militares a Ceuta para restaurar a ordem na fronteira com o Marrocos após dezenas de milhares de migrantes chegarem ao exclave espanhol no norte da África, muitos a nado. O número de pessoas que morreram na travessia tem aumentado com o tempo.
Na sexta-feira, o Ministério do Interior da Espanha informou estimar que mais de 49.000 pessoas tenham entrado em Ceuta a nado ou a pé nos últimos dias, a maioria na quinta-feira.
Vídeos mostravam multidões atravessando a nado a partir do lado marroquino, utilizando boias, tentando contornar os quebra-mares que separam os territórios marroquino e espanhol ou escalar a cerca fronteiriça.
Para chegar a Ceuta, migrantes geralmente saem a nado da cidade marroquina de Fnideq, a 5 quilômetros de distância.

Agências de notícia relataram um fluxo contínuo de gente, a maioria molhada, entrando no pequeno território de 18,5 quilômetros quadrados e cerca de 85 mil habitantes. Embora a maioria fosse de homens jovens, também havia famílias com mulheres e crianças pequenas.
A polícia local mencionou um fluxo “massivo” de imigrantes que a guarda na fronteira não foi capaz de deter.
“A situação é de caos absoluto”, disse Rachid Sbihi, chefe da associação que representa os guardas civis da Espanha em Ceuta, à agência de notícias Associated Press (AP). Segundo ele, a fronteira “colapsou totalmente”.
Imagens exibidas pela TVE mostravam agentes da Guarda Civil apenas monitorando a entrada de migrantes perto de um posto de fronteira no sul de Ceuta.
“A fronteira Tarajal foi aberta sob circunstâncias incomuns nesta manhã, e as pessoas a cruzaram”, afirmou Achraf Maimouni, da Associação Marroquina para Direitos Humanos.
Nos últimos dias, equipes de resgate já haviam observado um aumento no número de pessoas tentando contornar os controles fronteiriços a nado.
“Não podemos enfrentar essa pressão sozinhos; uma pressão que resultou na chegada de entre 1.500 e 2.000 pessoas em apenas 10 dias, o equivalente a 2% da nossa população”, afirmou Juan Vivas, prefeito-presidente da cidade autônoma de Ceuta.