Validado o guia alimentar para orientar políticas de nutrição e combater insegurança alimentar em STP

O guia foi elaborado com linguagem acessível para facilitar a sua utilização nas escolas, nos serviços do Ministério da Saúde, nas comunidades e por outras instituições envolvidas na promoção da alimentação saudável.

Sociedade -
Rádio Somos Todos Primos

Especialistas nacionais e internacionais validaram hoje o Guia Alimentar para a População São-tomense destinado a orientar políticas públicas de alimentação e nutrição, com base em um estudo que identificou níveis preocupantes de desnutrição, obesidade, hipertensão e insegurança alimentar em São Tomé e Príncipe.

O guia foi desenvolvido com o apoio do Governo de São Tomé e Príncipe, através do Ministério da Saúde, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) do Brasil, em parceria com a Universidade de São Tomé e Príncipe.

Segundo a nutricionista responsável pelo projeto, o país enfrenta dificuldades estruturais para garantir uma alimentação saudável, devido à forte dependência de produtos importados e às limitações no acesso da população a alimentos seguros e economicamente acessíveis.

“São Tomé e Príncipe depende da importação. Para termos uma alimentação saudável, precisamos de alimentos disponíveis, seguros e culturalmente aceitáveis, e isso ainda não está assegurado”, afirmou Dilúvia António.

A especialista explicou que o elevado custo de muitos produtos limita a capacidade de aquisição das famílias, comprometendo a adoção de uma alimentação equilibrada.

O estudo que serviu de base ao guia revelou a existência de diferentes formas de má nutrição, destacando um número significativo de casos de desnutrição, obesidade, hipertensão arterial e consumo de água não potável.

“O guia reúne orientações sobre a necessidade desses alimentos e a forma como podem contribuir para uma alimentação mais saudável. É um instrumento orientador que poderá apoiar a definição de políticas públicas e valorizar as culturas alimentares da população”, acrescentou.

A investigação identificou ainda os distritos de Caué e Cantagalo como as zonas onde a insegurança alimentar é mais acentuada.

“A insegurança alimentar em São Tomé e Príncipe é preocupante. Um estudo revelou que a insegurança alimentar grave persiste sobretudo na região sul”, referiu a nutricionista.

Apesar de serem regiões com maior proximidade de áreas agrícolas e de produção alimentar, muitas famílias continuam a considerar que não dispõem de acesso suficiente a alimentos, explicou.

O guia foi elaborado com linguagem acessível para facilitar a sua utilização nas escolas, nos serviços do Ministério da Saúde, nas comunidades e por outras instituições envolvidas na promoção da alimentação saudável.

De acordo com  Dilúvia, um dos principais desafios da elaboração do documento foi mobilizar uma equipa multidisciplinar para um trabalho desenvolvido no âmbito do seu doutoramento, envolvendo ainda três estudantes de mestrado e uma aluna de iniciação científica no Brasil, bem como diversas instituições nacionais.

O estudo concluiu que a alimentação tradicional da população continua assente na banana, fruta-pão e matabala, e alimentos importados, como arroz e esparguete.

Após a validação técnica realizada hoje, 31 de julhos, o guia será apresentado na segunda-feira às comunidades dos distritos e da Região Autónoma do Príncipe que participaram no estudo, antes da sua adoção final.

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