Carmélia Pedroso, residente em Pedro Mateus, distrito de Mé-Zóchi, exortou as autoridades para a adoção urgente de medidas de proteção, face a ameaças do ex-parceiro, José Mendes, condenado por abusar sexualmente da enteada durante cerca de cinco, mas que se encontra em liberdade enquanto aguarda decisão sobre um recurso apresentado à Justiça.
“Eu sou casada com um jovem e vivíamos há dez anos. Quando ele ficou comigo, eu tinha duas menores. Uma de um ano e uma de três anos. A primeira, que tinha três anos, assim que completou nove anos, ele começou a abusar sexualmente. […] Eu comecei a notar a diferença dele em casa”, disse Carmélia, referindo que, após perceber as ações do ex-parceiro, o denunciou à polícia, tendo o parceiro sido preso e condenado a 25 anos de prisão.
O ex-parceiro, José Mendes, mais conhecido por Zito, foi preso em meados de 2025 e condenado a 25 anos de prisão, tendo ainda de pagar uma indemnização de 50 mil à vítima.
Apesar disso, há cerca de quatro meses foi concedida ao agressor liberdade condicional, na sequência de um recurso e, desde então, o mesmo tem ameaçado a ex-parceira.
De acordo com Carmélia, a última ameaça foi feita no fim de semana, tendo aumentado o medo e o receio da mesma.
“A casa onde eu moro, as crianças, ele não se pode aproximar, mas ele tem estado a desobedecer a essa ordem do juiz. Foi a primeira vez, o juiz chamou-lhe a atenção. Ele deu um tempo e, desta vez, quando ele foi, disse-me na cara que tenho o prazo de três dias para sair da casa dele”, explicou.
Carmélia diz ter feito todas as diligências junto das autoridades competentes para a resolução do caso e referiu que, apesar dos alertas e das restrições impostas ao ex-parceiro, o mesmo não tem demonstrado ser acessível.

Abalada e visivelmente preocupada, Carmélia diz temer pela sua segurança, bem como pela das filhas.
“A minha família está aflita por causa dessa situação. Eu sei que muitos desses casos acontecem em São Tomé. […] Eu estou a sentir-me ameaçada com isso. Peço ao Tribunal Supremo que faça esse trabalho o mais rápido possível, porque nem eu, nem as minhas filhas estamos seguras. Eu vivo num lugar isolado só com essas crianças”, disse.
Apesar de contar com o apoio da família, vive diariamente com medo, uma vez que o agressor reside também na localidade de Pedro Mateus.
Carmélia apela a uma intervenção urgente das autoridades para garantir a sua integridade física.