O candidato presidencial Miques João iniciou, na segunda-feira, a campanha eleitoral com uma visita às instalações da Empresa de Água e Eletricidade (EMAE), durante a qual defendeu uma profunda reforma do setor energético e apontou a economia como a principal prioridade do seu programa de governação.
A jornada começou na Central Térmica de Santo Amaro, onde o candidato afirmou ter sido impedido de entrar nas instalações. Miques João considerou a situação “inaceitável”, alegando que qualquer candidato à Presidência da República deve ter livre acesso às instituições públicas.
“Vim cá para observar como está o processo. Se a Central de Santo Amaro impede a entrada de um candidato presidencial, é porque houve ordens superiores. Disseram-me que teria de pedir autorização. Desde quando um candidato à Presidência da República precisa de autorização para ter acesso aos serviços públicos do Estado?“, questionou o candidato em declarações à TVS.

Depois da visita à central, Miques João deslocou-se à direção da EMAE, onde voltou a defender a necessidade de transformar o sistema energético nacional, reduzindo a dependência dos combustíveis fósseis e apostando nas energias renováveis.
O candidato defendeu investimentos na energia solar, justificando que os frequentes cortes no fornecimento de eletricidade prejudicam a população e travam o desenvolvimento do país.
“Os cortes constantes de energia elétrica têm contribuído para atrasar o desenvolvimento económico do país“, afirmou.
Entre as propostas apresentadas, destacou a produção de energia através de painéis solares, o aproveitamento do potencial hidroelétrico dos rios e barragens existentes no país e o desenvolvimento da energia eólica.
“Precisamos de inaugurar uma nova era das energias renováveis. Não podemos continuar dependentes apenas da energia fóssil, que também é prejudicial ao ambiente“, defendeu, acrescentando que pretende materializar projetos já existentes para diversificar as fontes de produção energética.
No plano económico, Miques João afirmou que o combate às desigualdades será uma das seis prioridades do seu programa de governação. Segundo o candidato, é necessário promover maior justiça social através de uma distribuição mais equilibrada da riqueza nacional.
Neste sentido, defendeu a revisão da política salarial, propondo a redução dos salários considerados excessivos na administração pública, de forma a diminuir as disparidades entre os rendimentos mais elevados e os mais baixos.
“O problema económico é o que tem afetado o país. Há uma elite que vive com tudo e uma maioria que vive sem nada. Vamos promover justiça social e distributiva“, declarou.
No final da visita, Miques João abordou ainda o denominado “caso Tesla”, defendendo uma solução para o diferendo. O candidato afirmou que procurará um entendimento com os responsáveis pelo projeto, mas admitiu recorrer aos mecanismos legais previstos, incluindo a requisição por utilidade pública, caso não seja alcançado um consenso.
“Nós queremos saber quem são essas pessoas. E se não for resolvido, vamos lançar mão a um instrumento de requisição de oportunidade pública. Vamos lançar mão a isso”, referiu.
Segundo Miques João, o objetivo é garantir que a produção de eletricidade responda às necessidades da população e assegure o acesso à energia em todo o país.
Com esta agenda dedicada ao setor energético, o candidato deu início à campanha eleitoral colocando a energia e a economia no centro das suas propostas para as eleições presidenciais de 2026.