A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) promoveu hoje uma formação dirigida a profissionais da comunicação social são-tomense sobre boas práticas na proteção e apoio às vítimas de crime, iniciativa que integra também técnicos das áreas da justiça, saúde e ação social com vista a melhoria da qualidade da intervenção junto das vítimas.
“O objetivo é, precisamente, com estes profissionais, falarmos sobre as questões da violência baseada no género em São Tomé e tentar melhorar algumas coisas, transmitir a nossa experiência também, para que os profissionais com mais conhecimento possam transformar a realidade de acordo com aquilo que conhecem do seu próprio país e possam melhorar o apoio às vítimas”, afirmou a psicóloga, formadora e representante da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), Joana Menezes.
De acordo com Joana Menezes, o trabalho desenvolvido no âmbito da iniciativa partiu de um diagnóstico sobre a realidade são-tomense, elaborado com base em documentos oficiais e análises produzidas por diferentes entidades sobre a violência baseada no género no país.
Segundo as análises dos profissionais nacionais o país ainda enfrenta desafios relacionados com a existência de estruturas de apoio, disponibilidade de recursos e articulação entre os profissionais que intervêm junto das vítimas.
“Aquilo que os profissionais que aqui trabalham nos têm dito […] é que ainda faltam muitas estruturas de apoio. Falta uma boa articulação entre todos os profissionais, faltam alguns recursos também, sem recursos não é fácil fazer-se um trabalho ideal”, explicou.
A formação abordou igualmente o papel dos órgãos de comunicação social na cobertura de situações envolvendo vítimas, com enfoque na preservação da dignidade, proteção da identidade, respeito pelas individualidades.
“Eu acredito, não só com base naquilo que nós trazemos como experiência, mas também pelos momentos de reflexão e debate entre os profissionais que estão aqui connosco, que isso vai fazer alguma diferença na melhoria do apoio às vítimas de violência baseada no género em São Tomé”, frisou.