Moradores protestam por melhorias nas vias de acesso em localidades do distrito de Cantagalo

“Se uma mulher estiver grávida aqui em Claudino Faro, ou entrar em trabalho de parto, nós temos a necessidade de colocar quatro barrotes amarrados para socorrer as pessoas ao ombro”.

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Rádio Somos Todos Primos

Um grupo de moradores das localidades de Claudino Faro, Mato Cana, Anselmo Andrade e Bernardo Faro protestou por melhores condições das estradas, alegando que o mau estado das vias tem condicionado a circulação dos transportes, colocado em causa a segurança da população e ameaçaram interromper o abastecimento de alimentos à capital, caso o Governo não resolva a situação.

A população avançou que o atual estado das vias de acesso tem causado diversos constrangimentos aos moradores que diariamente deslocam-se à capital para abastecer o mercado nacional.

“Nós, da comunidade de Mato Cana, já há muito tempo que estamos a ser enganados por sucessivos governos da nossa República. Por isso, marcamos uma manifestação de forma ordeira e pacífica, para despertar a consciência dos nossos governantes”, disse Danilson Leite.

A população manifesta-se devido ao atraso da obra, cujo início estava previsto para este ano. Contudo, até ao momento, já próximo do primeiro semestre de 2026, ainda não existe uma previsão concreta para o arranque dos trabalhos.

O presidente da comissão organizadora da manifestação, Danilson dos Santos, ressaltou que as condições da via de acesso têm colocado em risco a segurança física e a saúde dos moradores.

“Em setembro do ano passado, o senhor Primeiro-Ministro passou por esta via e disse que dentro de quarenta e cinco dias teria lugar o lançamento da estrada, mas até hoje este problema não foi resolvido”, afirmou.

A representante das mulheres rurais de São Tomé e Príncipe relatou que a situação tem colocado em causa o bem-estar e a segurança física dos moradores, principalmente das mulheres.

“Nós estamos cansados, estamos a sofrer, principalmente as mulheres deste corredor que levantam às quatro horas da manhã. Eu tenho dores na coluna, com a idade que tenho. Quando o Estado vai à comunidade e dá um prazo de 45 dias, tem que saber falar bem. Promessa tem que ser cumprida”, disse a representante das mulheres rurais, Maria de Fátima.

“Se uma mulher estiver grávida aqui em Claudino Faro, ou entrar em trabalho de parto, nós temos a necessidade de colocar quatro barrotes amarrados para socorrer as pessoas ao ombro”, reforçou Danilson dos Santos.

A população apelou firmemente ao Governo para a resolução do problema e referiu ainda a possibilidade de efetuar um bloqueio do transporte de mercadorias para a capital.

“Esta manifestação não vai parar por aqui, nós vamos avançar ainda mais. Vamos avançar até ao ponto de cortar os alimentos que vão para a cidade capital”, afirmou o presidente da comissão da manifestação.

A coordenadora do Projecto de Reabilitação de Infraestruturas de Apoio à Segurança Alimentar (PRIASA III) sublinhou que ainda existem processos que devem ser seguidos para o início e concretização da obra.

Por sua vez, o Instituto Nacional de Estradas (INAE) acrescentou que aguarda a não objeção do financiador para prosseguir com o concurso de reabilitação das estradas.

Enquanto isso, a população aguarda pela reabilitação das infraestruturas, de modo a garantir mais segurança e melhores condições de circulação.

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