Os funcionários dos Correios de São Tomé e Príncipe cumprem hoje o terceiro dia consecutivo de uma greve que dizem ser por tempo indeterminado, para exigir o pagamento de contribuições à Segurança Social que a empresa tem descontado nos salários há quatro anos.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa dos Correios (Sincotel), Wilson Torres, a paralisação foi decidida após o envio de um caderno reivindicativo à diretor geral da empresa, António Aguiar, sem ter sido marcada qualquer reunião para discutir as preocupações apresentadas pelos trabalhadores.
“Nós demos início hoje à nossa greve porque remetemos o caderno reivindicativo há duas semanas e o diretor-geral não nos chamou. Então, como nós metemos um pré-aviso de greve que iniciaria hoje dia 10, entramos em greve hoje”, afirmou Wilson Torres.
Os trabalhadores denunciam que existem quatro anos de contribuições em atraso à Segurança Social desde a atual gestão da empresa.
“São quatro anos em atraso do pagamento da Segurança Social desde a atual gestão”, declarou a funcionária Maria Espírito Santo.
De acordo com o presidente do sindicato, a principal reivindicação está relacionada com a não regularização dos pagamentos à Segurança Social e com a falta de diálogo por parte da direção da empresa.
“A causa da greve é o nosso pagamento da Segurança Social. O senhor diretor-geral recusa receber o sindicato para o diálogo”, disse Wilson Torres, acrescentando que os trabalhadores contestam ainda alegadas despesas realizadas pela direção enquanto permanecem por liquidar as contribuições relativas aos anos de 2020, 2023, 2024 e 2025.
O dirigente sindical afirmou também que uma auditoria realizada pela Inspeção das Finanças à empresa em 2024 registou várias reposições de valores e alegados pagamentos que, segundo os trabalhadores, devem ser esclarecidos.
Segundo o sindicato, a diretora financeira da empresa já foi chamada a responder no Ministério Público, esperando os trabalhadores que a mesma instituição tome medidas adicionais para apurar responsabilidades e assegurar a reposição dos valores em causa.
Os funcionários apresentaram igualmente documentos enviados pelo ministro das Infraestruturas e Recursos Naturais solicitando que a direção da empresa recebesse os trabalhadores para negociações.
A Empresa Correios de São Tomé e Príncipe, fundada em 1 de janeiro de 1982, é uma empresa de serviços postais que tem como objetivo oferecer soluções de entrega aos seus clientes.