Camila Afonso apresenta “Em Busca de Ela” e convida os leitores a uma viagem de autodescoberta

Depois de “Mãe aos 16”, obra inspirada numa experiência pessoal, afirma que a sua escrita se tornou mais simbólica, introspetiva e poética, centrando-se sobretudo nas emoções humanas.

Cultura -
Camila Afonso

A jovem escritora são-tomense, Camila Afonso apresentou no Centro Cultural Português a sua terceira obra literária intitulada “Em Busca de Ela”, um livro que convida os leitores a uma profunda reflexão sobre identidade, perdas, cura e reencontros.

Em entrevista à RSTP, a autora revelou que a obra nasceu de uma reflexão sobre as fases da vida em que muitas pessoas acabam por deixar partes de si para trás para corresponder às expectativas da sociedade ou às circunstâncias da vida.

A minha intenção com esta obra foi contar a história de alguém que procura recuperar uma parte de si que ficou esquecida pelo caminho. Às vezes, a maior viagem que fazemos não é para encontrar alguém, mas para voltar a encontrar-nos”, afirmou.

Segundo Camila Afonso, a protagonista representa a realidade de muitas mulheres que, ao longo da vida, colocam os seus sonhos e a própria identidade em segundo plano para responder às exigências da família e da sociedade.

Existe uma pressão social para sermos muitas coisas ao mesmo tempo. A trajetória de Ela representa essa luta interna de muitas mulheres que tentam recuperar a própria voz depois de anos de silenciamento, renúncias ou escolhas feitas mais pelas circunstâncias do que pelo desejo pessoal”, destacou.

A escritora considera que “Em Busca de Ela” representa uma evolução significativa no seu percurso literário. Depois de “Mãe aos 16”, obra inspirada numa experiência pessoal, afirma que a sua escrita se tornou mais simbólica, introspetiva e poética, centrando-se sobretudo nas emoções humanas.

Durante a entrevista, Camila revelou que o capítulo “Desce” foi o mais marcante durante o processo de escrita. Nele, a protagonista enfrenta as memórias, os traumas e as dores que precisam ser revisitados para que a cura aconteça.

A autora explicou que esse capítulo também reflete a sua própria caminhada, marcada por perdas e desafios, reforçando a ideia de que a verdadeira transformação começa quando se enfrenta aquilo que durante muito tempo se tentou esconder.

Dessas reflexões nasceu igualmente “Ditopia”, um conceito criado pela escritora para representar o estado emocional entre a dor e a esperança, onde as lembranças permanecem, mas deixam de controlar a vida.

Questionada sobre o impacto que espera causar nos leitores, Camila Afonso afirmou que deseja que o livro seja um abraço para todos aqueles que se sentem perdidos, especialmente para as mulheres que procuram reencontrar a sua identidade.

Espero que seja um convite para voltarem a olhar para si mesmas, para os seus sonhos e para a sua identidade. Que percebam que nunca é tarde para se reencontrarem e escreverem novos capítulos das suas vidas”, precisou.

Aos jovens escritores são-tomenses, deixou uma mensagem de incentivo, apelando à coragem para começar a escrever e à perseverança diante das dificuldades que a literatura ainda enfrenta no país.

Camila Afonso adiantou ainda que já se encontra a desenvolver novos projetos literários, continuando a explorar temas ligados à identidade, à memória, às experiências humanas e à sua ligação com São Tomé e Príncipe.

Camila Afonso é uma escritora são-tomense, formada em Design pelo Institut National des Beaux-Arts de Tétouan, em Marrocos. É autora das obras “Mãe aos 16”, “As Luzes de Paulino” e “Em Busca de Ela”, nas quais aborda temas como identidade, resiliência e desenvolvimento pessoal.

Participou das antologias “Pontes de Cidadania – Antologia de Contos e Crónicas da CPLP Pró-Ambiente” e “As Casas Ainda Respiram”, coletânea comemorativa dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que reúne escritores de vários países lusófonos.

Atualmente, dedica-se ao desenvolvimento de projetos literários e culturais que valorizam a literatura são-tomense e incentivam a leitura entre os jovens, afirmando-se como uma das vozes da nova geração de escritores de São Tomé e Príncipe.

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