O artista plástico são-tomense Janick Santos utiliza há mais dez anos materiais recicláveis para criar esculturas, pinturas e outras obras inspiradas na cultura nacional e do continente africano, conciliando a expressão artística com a promoção da preservação ambiental.
Criado num ambiente de incentivo artístico, Janick Santos nasceu e cresceu rodeado pela construção e produção artesanal, observando o trabalho do pai e do avô.
Residente em Obô Longo, o jovem é amplamente conhecido em São Tomé e Príncipe pelo trabalho desenvolvido na escultura, nas artes plásticas e na pintura. Com criatividade e habilidade manual, transforma materiais em obras que se destacam pela originalidade.
“Acho que este gosto pela pintura e pela escultura nasceu comigo. O meu pai desenhava e esculpia, e o meu avô também fazia trabalhos ligados à escultura, como bonecos de madeira e outras peças”, afirmou, acrescentando que desde criança encontrou no pai a sua principal fonte de inspiração.
Em entrevista à RSTP, Janick Santos explicou que a inspiração para as suas obras nasce da cultura são-tomense, do quotidiano da população e da história dos líderes africanos que lutaram pela independência do continente.
Há mais de dez anos, iniciou a sua trajetória artística recorrendo essencialmente a materiais recicláveis, como cartão, plástico, tecidos e pneus, entre outros, aliando a criação artística à preservação do ambiente.
A primeira exposição, intitulada “Os Imortais”, refletiu a admiração pela identidade africana e pelas figuras históricas que marcaram a luta anticolonial.

“Para além da pintura, sempre fui muito interessado pela luta africana pela independência”, referiu, destacando que a sua primeira coleção incluiu retratos de líderes como Kwame Nkrumah, Samora Machel e Amílcar Cabral.
“[Inspiro-me no] nosso São Tomé e Príncipe, no nosso dia a dia, no nosso quotidiano, no nosso ser e estar e nas memórias que tento sempre reviver, porque a arte permite-nos isso. Permite contar a história e, ao mesmo tempo, fazer poesia e ressuscitar certas personagens”, explicou.
Na sua oficina é possível observar de perto uma parte do universo criativo do artista, onde cada obra traduz a sua inspiração, identidade e visão sobre a cultura nacional.
Entre as suas criações mais conhecidas destaca-se o falcão gigante, atualmente exposto no Ministério do Ambiente, uma peça que simboliza a biodiversidade de São Tomé e Príncipe.
Apesar da paixão pela arte, Janick reconhece que exercer esta profissão no país continua a ser um grande desafio, devido à reduzida valorização do setor e às limitadas oportunidades para os artistas.

“É sempre um desafio, é sempre uma busca constante. Fazer arte em São Tomé e Príncipe não é fácil”, afirmou, manifestando, contudo, esperança de que a sociedade passe a cultivar um maior interesse e apreço pelas artes.
Apaixonado pela criação artística e motivado a partilhar conhecimentos, Janick diz estar disponível para ensinar e incentivar outras pessoas a descobrir o mundo da arte.
“Quero ensinar os outros. Espero ter mais oportunidades para transmitir aquilo que sei e que mais pessoas demonstrem interesse pela arte”, concluiu.
Janick Santos é mais um exemplo da criatividade da juventude são-tomense, destacando-se pela valorização da reciclagem como matéria-prima para as suas obras e pela forma como alia a expressão artística à promoção do desenvolvimento sustentável.