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Ministra da Educação aponta fraca qualidade da educação como “grande desafio para o Estado”

Julieta Rodrigues disse que “o contexto são-tomense caracteriza-se por fracos resultados da aprendizagem em termos de literacia e numeracia”.

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A ministra da Educação e Ensino Superior são-tomense assinalou hoje “progressos notáveis” na educação, mas considerou que a “fraca qualidade” do setor constitui “um grande desafio para o Estado” dada a baixa percentagem de aprendizagem no país.

Julieta Rodrigues falava na abertura de um workshop de auscultação nacional sobre a educação que vai decorrer até sexta-feira no âmbito da preparação da participação de São Tomé e Príncipe na Cimeira de Educação Transformadora convocada pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres para setembro, em Nova York.

“Em São Tomé e Príncipe foram alcançados nos últimos anos progressos notáveis no setor da educação onde a taxa de escolarização aumentou significativamente”, começou por destacar a ministra da Educação citando estudos que dão conta que “em 2017, 93% das crianças em idade escolar estavam matriculadas na escola contra 56% em 2008”.

“Ainda assim o país vem sentido desigualdades e fraca qualidade da educação, situação que constitui um grande desafio para o Estado”, lamentou a governante.

Segundo a ministra da Educação, em termos de desigualdades, “as crianças que vivem em ambiente cujas as famílias são vulneráveis, ou seja, de baixa renda ou até mesmo de extrema pobreza não conseguem frequentar a escola, nem a pré-escola.”

“À esta barreira acrescenta-se muitas crianças que necessitam da educação especial e que ainda não foram incluídas no sistema de ensino nacional”, sublinhou.

Por outro lado, em relação a qualidade da educação, Julieta Rodrigues disse que “o contexto são-tomense caracteriza-se por fracos resultados da aprendizagem em termos de literacia e numeracia, de competências técnicas, digitais atualizadas do século 21”.

Dados do Inquérito dos Indicadores Múltiplos (MIC’s 2019) citados pela governante indicam que “37,1% da população infantil atingiu um nível básico de proficiência, tanto em leitura como em matemática”, sendo que “no norte rural do país apenas 27% demonstraram capacidade de leitura” e nas áreas urbanizadas (Água-Grande e Mé-zóchi) a taxa é de 42,9%.

“Apenas 35,8% demonstram competências de matemática adequadas, sendo 27% no noroeste rural e nas zonas urbanas a taxa é de 42%”, acrescentou.

Segundo a ministra da Educação e do Ensino Superior “a pandemia da covid-19 veio agravar os problemas que a educação vinha enfrentando”, apesar de terem sido “introduzidas medidas para facilitar a aprendizagem a distância como forma de mitigar os efeitos da pandemia, tais como a adoção de programa de ensino a distância através da rádio e televisão”.

“O Ministério da Educação e Ensino Superior vê-se na necessidade de buscar ferramentas e financiamentos dos parceiros para inverter a situação e tomar medidas no sentido de garantir para cada criança, e não só, uma boa aprendizagem, equidade e inclusão para alcançar os mais desfavorecidos arranjando solução para a educação em situações de emergência e contextos frágeis”, disse Julieta Rodrigues.

A Cimeira da Educação Transformadora proposta pelo secretário-geral da ONU para setembro, será precedida por uma pré-cimeira que se realizará ainda em junho, em Paris, França.

Estes dois momentos constituem uma oportunidade ímpar para discutir as principais recomendações, ações e iniciativas de cooperação global, impulsionar o compromisso dos países com a área educativa com planos abrangentes para ajudar a cobrir a perda dos alunos na aprendizagem, destacando algumas práticas promissoras que visem acelerar o desenvolvimento das metas inscritas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030”, disse o coordenador residente a Organização das Nações Unidas (ONU) em São Tomé e Príncipe, Eric Overvest.

O processo de consulta iniciado hoje conta com participação de ex-ministros da Educação, diretores de escolas, professores, alunos, país e encarregados de educação, entre os outros.

Segundo o coordenador residente da ONU “este processo de consulta servirá também para alimentar os planos e as prioridades nacionais, bem como o quadro de cooperação das Nações Unidas para São Tomé e Príncipe para os próximos cinco anos”.

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