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Dom Manuel António renuncia ao cargo de Bispo da Diocese de São Tomé e Príncipe

“A partir deste momento eu já não sou bispo de São Tomé e Príncipe”, disse Manuel António.

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O bispo da Diocese de São Tomé e Príncipe, Manuel António dos Santos, anunciou hoje a renúncia ao cargo, após 15 anos de missão no arquipélago, um pedido aceite hoje pelo Vaticano.

“A partir deste momento eu já não sou bispo de São Tomé e Príncipe”, disse Manuel António minutos antes da Santa Sé publicar a informação no seu boletim oficial.

Manuel António, é natural de São Joaninho, distrito de Viseu, Portugal, e tinha sido nomeado bispo Diocesano de São Tomé e Príncipe, no dia 01 de dezembro de 2006 pelo Papa Bento XVI, assumindo as funções no dia 18 de março de 2007.

“Foram 15 anos, sete meses e meio que estive nomeado bispo de São Tomé” e “começo por agradecer todo o carinho, todo o acolhimento que sempre senti, todo o calor humano com que sempre fui acolhido nesta terra”, sublinhou Manuel António dos Santos.

O ex-líder da igreja católica em São Tomé e Príncipe, afirmou que durante a sua missão procurou “ser pastor de São Tomé” e até adquiriu a nacionalidade são-tomense para se sentir verdadeiramente “identificado com esse povo”.

Justificando a sua renúncia, Manuel António dos Santos de 62 anos, considera que “ser bispo em São Tomé e Príncipe não é fácil, porque é uma diocese e é também um país” e como resultado “o bispo é que acaba por ser o centro da igreja” e uma “figura muito solicitada” que está “sempre em movimento contínuo” para encontros, viagens e outras atividades.

“Além disso é uma diocese com muitas dificuldades e exige do bispo o empenho para pensar o presente e o futuro da diocese e a verdade é que chegou o momento em que eu estava a sentir-me profundamente cansado […] nos últimos tempos já me sentia com dificuldades em sentir ânimo para continuar”, afirmou Manuel António dos Santos.

Contudo, explicou que desde que foi nomeado há quinze anos que definiu a meta máxima de 10 anos para o exercício da função, mas que acabou por se prolongar um pouco mais.

“Já nesta altura quando foi a minha ordenação já pus esse patamar como ponto de referência. Para além disso sou religioso e trago a cultura de religiosos que normalmente vivem os cargos com tempo limitado, onde 12 anos é, normalmente, o tempo que se considera de referência máxima para o desempenho seguido de um cargo na congregação”, explicou.

“Se os bispos tivessem o ano sabático, se calhar eu era capaz de arriscar estar [em funções] mais um pouco de tempo, mas assim, sem perspetiva de poder parar, de poder acalmar, acho que também se chega a um momento que temos que pensar que não temos energia suficiente”, acrescentou Manuel António dos Santos que assinala este mês 37 anos da sua ordenação como sacerdote da igreja católica.

Preparando-se para regressar à Portugal, Manuel António dos Santos considera que nos últimos anos “a igreja de São Tomé foi crescendo, foi amadurecendo, foi criando novas estruturas, tendo até novas famílias religiosas”.

Nesse sentido, a “passagem de testemunho pode ser uma graça para esta mesma diocese dentro da sua história, de modo que continue o seu caminho, aprofundando também a sua identidade de igreja aqui inserida em África, uma igreja jovem, uma igreja nova de modo a continuar o seu caminho […] parto continuando a ser são-tomense, parto continuando certamente unida a esta igreja, unida a todos vós e tentarei continuarei a colaborar convosco e a dar melhor de mim mesmo ao serviço desta diocese”, sublinhou Manuel António dos Santos.

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