Reitoria da USTP rejeita acusações de professores e garante visão dinâmica na universidade

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Rádio Somos Todos Primos

A reitoria da Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP) refutando as acusações de professores que alegam crise na universidade e exigem ao Governo a demissão a direção, e assegurou que tem implementado uma “visão dinâmica” e mudanças na instituição.

“É normal que em qualquer processo de mudança haja alguma resistência e nós trouxemos uma visão muito dinâmica para esta universidade. Elaboramos um plano estratégico bastante ambicioso”, disse a reitora da USTP, Eurídice Helga Aguiar, na quarta-feira, 25 de março.

A comissão de docentes e não docentes da USTP entregou um pré-aviso de greve ao Governo, prevendo uma paralisação total e por tempo indeterminado a partir do dia 06 de abril, reivindicando vários pontos, incluindo a revisão e aprovação de legislação de carreira e remuneratória, bem como a demissão da reitora.

“A reitora e a sua comitiva têm sido um entrave enorme, dia a dia, mês a mês, em relação a todos os projetos que nós apresentamos e que nós queremos fazer acontecer pelo bem-estar e no progresso e desenvolvimento da universidade”, disse o porta-voz da comissão, o jurista e professor Homildo Fortes.

A comissão alega que a USTP tem vivido um “momento de verdadeira crise institucional”, desde há um ano, o que, já na altura, motivou o pedido de demissão da reitora, na base de acusações graves, tendo “havido até procedimento criminal” que aguarda decisão.

“Refutamos todas as alegações porque, na verdade todos os nossos passos são sempre feitos na base dos regulamentos, da lei, dos nossos estatutos, portanto, estamos tranquilos, estamos a aguarda e acreditamos que a resolução será sempre a favor da USTP”, reagiu a reitora Eurídice Helga Aguiar.

A reitora eleita em 2023, admitiu alguma divergência sobre determinadas ideias, o que considerou com um processo normal da democracia, as garantiu que “a universidade está a funcionar, está num processo de crescimento bastante grande, com resultados muito positivos”.

Por outro lado, a administradora geral da USTP, Sara Santos enfatizou melhorias na gestão financeira da instituição.

“Quando assumimos a gestão em 2023 esta reitoria tinha cerca de apenas 84 mil dobras na conta, hoje nós temos mais de dois milhões de dobras, isto a custa de uma gestão apertada com vista a prossecução de muitos objetivos que temos em carteira […] também a conta da universidade tem mais de 15 milhões de dobras”, sublinhou Sara Santos

A administradora referiu que estes valores estão a ser geridos para “muitos investimentos” para a universidade, nomeadamente a instalação de uma residência para estudantes, laboratórios e obras nas estruturas mais degradadas.

Sara Santos rejeitou alegados pagamentos indevidos denunciados pela comissão dos professores e assegurou que a reitoria tem tentado “banir algumas más práticas” que encontrou na universidade.

Nós tivemos uma auditoria do Tribunal de Contas muito recentemente e não houve imputação de responsabilidade financeira à ninguém dessa gestão. Pelo contrário, a gestão cessante teve valores a repor”, precisou.

As declarações dos elementos da reitoria foram feitas após denúncia de representantes das associações de estudantes dos três pólos da USTP contra alegada persuasão por parte de professores para que os alunos se posicionem contra a direção da instituição.

Entretanto, o porta-voz da comissão dos professores e não docentes, Homildo Fortes admitiu a realização de reuniões com alunos e outras previstas nos próximos tempos, mas garantiu que tiveram “carta verde das unidades orgânicas” que concederam espaços da universidade para as sessões que têm sido “só de informações, para explicar que possivelmente irá haver greve”.

No sábado, o primeiro-ministro são-tomense, Américo Ramos disse que o executivo analisará o pedido dos professores e prometeu uma decisão esta semana, após “constatar que há um conflito bastante profundo entre a reitoria e a comissão dos professores”.

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