Empresa angolana vai moir cimento em São Tomé e Príncipe pela primeira vez

Segundo os promotores, a futura unidade deverá contribuir para evitar a escassez de cimento e favorecer a redução dos preços no mercado interno, ao mesmo tempo que abre perspetivas de exportação.

Economia -
Rádio Somos Todos Primos

A empresa angolana CIMENFORT prevê iniciar a moagem de cimento em São Tomé e Príncipe dentro de oito meses, o que segundo o ministro das Finanças, permitirá resolver “de forma estrutural” o problema de ruturas e especulação de preços deste produto no mercado nacional, e reduzir o impacto ambiental no abate de madeira.

O investimento, orçado em cerca de 10 milhões de dólares, será implementado na zona de Saton, numa área de seis hectares atualmente em fase de organização, e prevê a moagem de cimento proveniente de Angola para posterior comercialização no mercado nacional e externo.

Segundo Garreth Guadalupe, a iniciativa responde a uma necessidade antiga do país, recordando que o projeto existe há mais de três anos sem ter avançado, apesar da passagem de dois governos.

“Nós temos tido muitas vezes ruptura de cimento no mercado, o que muitas vezes gera especulações”, afirmou o governante, defendendo que a criação de uma capacidade local de processamento permitirá garantir uma oferta regular do produto.

Para o ministro, assegurar a disponibilidade de cimento tem também uma dimensão ambiental, numa altura em que São Tomé e Príncipe é reconhecido como reserva da biosfera.

“Se não tivermos cimento, nós vamos incentivar as pessoas outra vez mais a cortar madeiras para fazer casas […] As pessoas precisam de ter alternativas”, sublinhou.

Garreth Guadalupe destacou ainda que a produção local de diferentes tipos de cimento permitirá responder às necessidades do mercado nacional e apoiar projetos de infraestruturas.

“Resolver o problema de forma estrutural é garantir a oferta constante ao nível nacional”, afirmou.

De acordo com o representante da CIMENFORT, Mário Victor, o projeto não consiste numa fábrica de cimento, mas numa unidade de moagem, uma vez que São Tomé e Príncipe não dispõe da matéria-prima necessária para a produção integral do produto.

“A matéria-prima já vem cozinhada de Angola”, explicou, acrescentando que será utilizada pozolana existente em São Tomé para a mistura que permitirá produzir quatro tipos de cimento: 32.5, 42.5, 52.5 e cimento marítimo.

A empresa prevê produzir cerca de duas mil toneladas de cimento por mês destinadas ao mercado nacional, bem como cerca de 12 mil toneladas para exportação.

Segundo os promotores, a futura unidade deverá contribuir para evitar a escassez de cimento e favorecer a redução dos preços no mercado interno, ao mesmo tempo que abre perspetivas de exportação.

A fábrica poderá estar concluída dentro de pelo menos oito meses e deverá criar mais de 100 postos de trabalho.

O estudo de impacto ambiental necessário ao projeto já foi realizado e aprovado há quatro anos, segundo os responsáveis.

Garreth Guadalupe rejeitou as preocupações relacionadas com elevados níveis de poluição associados à indústria cimenteira, sublinhando que o projeto assenta na utilização de pozolana existente no país e na produção de um tipo de cimento com procura internacional.

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