Elves Pinto e Flaviane Moniz disseram que, se fossem animais, seriam um leão e uma gata, numa conversa em que refletiram sobre a infância em São Tomé e Príncipe, entre desafios ligados ao acesso à educação e à inclusão de crianças com deficiência no ambiente educativo, e referências ao apoio e aos cuidados que recebem no seio familiar.
Ao longo da conversa, os alunos refletiram sobre os desafios enfrentados pelas crianças no país, desde as dificuldades económicas das famílias até aos constrangimentos que afetam o processo de aprendizagem.
“Eu acho que ser criança em São Tomé e Príncipe é um pouco difícil, porque nem todas as pessoas têm condições e, principalmente, a questão da energia não ajuda muito as crianças a estudarem”, afirmou Flaviane Moniz.
Durante a entrevista, as crianças foram desafiadas a identificar o animal com o qual mais se identificavam. Flaviane escolheu a gata, por associá-la à tranquilidade, à liberdade e à serenidade.
“Eu gostaria de ser um gato. O gato é muito relaxado, vive a sua vida, caça, dorme e descansa”, disse.
O Elves escolheu o leão, por associá-lo à liderança, à proteção e ao cuidado com os outros.
“Gostaria de ser um leão, porque gosto de ser líder, de proteger e de cuidar das pessoas”, afirmou, acrescentando que utilizaria essa capacidade para ajudar quem mais precisa.
O mês de junho é assinalado como o Mês da Criança, integrando o Dia Internacional da Criança celebrado a 1 de junho, e o Dia da Criança Africana celebrado a 16 de junho.
Questionados sobre as mudanças que implementariam no país, caso tivessem poder de decisão, ambos defenderam uma maior inclusão das crianças com necessidades especiais, através da criação de mais escolas e de melhores oportunidades.
“Faria algumas mudanças e criaria mais escolas para crianças com necessidades especiais, porque muitas pessoas em São Tomé ainda têm a ideia de que essas crianças representam um problema, quando, na verdade, não é assim. São pessoas que podem contribuir para melhorar o país, desde que lhes sejam dadas mais oportunidades”, defendeu Flaviane.
A falta de recursos financeiros das famílias e o preconceito em relação ao autismo foram igualmente apontados como desafios que exigem uma maior intervenção das autoridades e da sociedade.

“Há pais com poucas condições financeiras que não compreendem a situação dos seus filhos e há pessoas que pensam que as crianças autistas são doidas. Muitas famílias não têm dinheiro para colocá-las numa escola que as possa ajudar e compreender as suas necessidades”, referiu a aluna.
Os alunos defenderam ainda a necessidade de sensibilizar os pais para a educação e os cuidados a prestar às crianças com necessidades especiais.
“As crianças têm os seus direitos e, para melhorar a situação, esses direitos devem ser cumpridos, sobretudo o acesso a uma educação de qualidade e à saúde”, disse Elves Pinto.
Embora os desafios reconhecidos, Elves disse o que o deixa mais feliz.
“O que me deixa mais feliz é quando faço os testes, tiro boas notas e os meus pais ficam orgulhosos de mim”, disse.
Ao longo da conversa, os dois alunos destacaram ainda a alegria proporcionada pelas celebrações dedicadas à infância e revelaram o desejo de seguir a carreira de Medicina no futuro.