Carlos Vila Nova foi reeleito Presidente de São Tomé e Príncipe, à primeira volta, com 55,94% dos votos, segundo os resultados preliminares divulgados hoje pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN).
O principal adversário, Nito d’Abreu, arrecadou 41,42% do voto popular.
“Estes resultados são válidos e não foram detectados nenhuma anomalia”, disse o presidente da Comissão Eleitoral Nacional, Jeudíger Nacimento.
Mais de 142 mil eleitores foram chamados este domingo a escolher o Presidente, numas eleições marcadas pela crispação política, mas sem registo de incidentes de maior.
Eugénio Tiny e Miques João foram os outros dois candidatos, contabilizando, respetivamente, 1,07% e 1,58%. Voltaram a não contar com qualquer apoio partidário e a sua campanha eleitoral foi praticamente inexistente.
“Registámos várias reclamações. No entanto, nenhuma foi acompanhada de provas”, afirmou, referindo-se aos casos de eleitores cujos nomes não constavam dos cadernos eleitorais, situação que impediu muitos de exercer o direito de voto por não terem atualizado os seus dados durante o mais recente recenseamento eleitoral.
Carlos Vila Nova, que não contou agora com o apoio oficial da Ação Democrática Independente (ADI), recandidatou-se suportado por uma plataforma da oposição, que incluiu o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), o Movimento Basta, a União para Democracia e Desenvolvimento (UDD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), Partido de Convergência Democrática (PCD) e Partido Nossa Terra. Mas também de uma ala da oposição da própria ADI.
Nito d’Abreu, líder parlamentar da ADI, foi o candidato oficial, apoiado pela ala da ADI leal ao ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, cujo Governo foi demitido em janeiro de 2025 pelo chefe de Estado, Carlos Vila Nova.
Contou com o apoio de uma plataforma eleitoral que inclui também o Movimento de Cidadãos Independentes – Partido Socialista (MCI – Partido Socialista), Partido de Unidade Nacional (PUN) e Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP).
Eugénio Tiny foi o mais veterano dos candidatos. E um dos dois candidatos sem apoios partidários conhecidos. Foi vice-presidente da Assembleia Nacional e cofundador do Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM).
Miques João era o mais jovem dos candidatos, com 41 anos. Foi suspenso pela Ordem dos Advogados, após várias acusações não consubstanciadas feitas contra membros da classe política e judiciária.
Em maio de 2025 foi preso preventivamente após ser acusado de abuso sexual de uma menor – o que classificou de cabala política, mas foi libertado em agosto do mesmo ano e aguarda agora o desenrolar do processo em liberdade. Voltou a não contar com qualquer apoio partidário.
Carlos Vila Nova, baseou a sua recandidatura apelando pela confiança do povo para um novo mandato e prometeu garantir estabilidade, equilíbrio e união entre os são-tomenses.
“Carlos Vila Nova é Presidente para unir, não é Presidente para dividir. É um Presidente que vai unir gerações. Eu não olho para os velhos, não olho para os mais maduros, não olho para os jovens, para as mulheres, para as crianças. Eu olho para toda a gente, todos os filhos do São Tomé e Príncipe. Quem vem com a linguagem de dividir gerações, velho sai, entra novo, está a arrumar grupo […] Nós queremos um país unido, onde haja alegria e harmonia”, declarou.
Para a observação das eleições presidenciais encontram-se no terreno várias missões internacionais, nomeadamente da União Europeia, da União Africana, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dos países do G-7+, da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e ainda da Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP).
Segundo a CEN, os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.
O documento irá ser entregue ao Tribunal Constitucional para apuramento, após os dados distritais serem apurados.