Ciência revela a riqueza escondida do café de São Tomé

Os investigadores defendem que estas variedades devem ser protegidas e valorizadas como parte do património agrícola de São Tomé e Príncipe. O conhecimento científico agora produzido poderá ajudar no desenvolvimento de novas estratégias para uma cafeicultura mais produtiva, resistente e capaz de melhorar a vida dos agricultores.

Sociedade -
Rádio Somos Todos Primos

Um novo estudo científico realizado pelo Centro de Investigação Agronómica e Tecnológica de São Tomé e Príncipe (CIAT), em parceria com a Universidade de São Tomé e Príncipe (USTP), o Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA) e a CECAFEB revelou que São Tomé possui uma grande diversidade de variedades de café, algumas com características importantes para aumentar a produção, melhorar a resistência das plantas e proteger o futuro da cafeicultura nacional.

Segundo o documento enviado à RSTP, o estudo permitiu a análise  de 10 variedades de café cultivadas nos sistemas agroflorestais da ilha de São Tomé, incluindo Catuaí, Típica, Mundo Novo, Caturra, Bourbon, Icatu, Catimor, Teksik e Robusta.

Os investigadores avaliaram as características das plantas, dos frutos e das sementes, além de realizarem análises do DNA para compreender melhor a origem e a relação entre as diferentes variedades existentes nas roças santomenses.

Principais resultados encontrados: 

Os resultados mostraram que algumas variedades apresentam características muito promissoras. O Catuaí destacou-se por produzir frutos maiores e mais pesados, indicando um bom potencial produtivo. A variedade Típica apresentou maior crescimento e vigor das plantas, demonstrando boa adaptação às condições locais. 

Uma das principais descobertas do estudo foi a identificação de uma variedade tradicionalmente chamado pelos agricultores de “robusta”. As análises genéticas indicam que esta planta possui maior proximidade com o café arábica do que com o verdadeiro café robusta, sugerindo que pode representar uma linhagem local única, desenvolvida ao longo de muitos anos de adaptação nas condições ambientais de São Tomé.

Uma descoberta importante para reduzir os prejuízos causados pela praga:

Esta variedade local apresentou características interessantes, incluindo boa adaptação às condições das roças e menor ocorrência da broca-do-café, uma das principais pragas que afetam os produtores, especialmente na região de Monte Café. 

O que este estudo representa para os agricultores?

Para os agricultores, o estudo representa uma oportunidade importante. A conservação das variedades locais e a escolha das plantas mais adaptadas podem ajudar a aumentar a produtividade, reduzir perdas causadas por pragas e tornar o cultivo do café mais preparado para os desafios das alterações climáticas. Além disso, a diversidade genética encontrada reforça o valor do café santomense no mercado internacional, principalmente o café produzido de forma biológica e sustentável.

Os investigadores defendem que estas variedades devem ser protegidas e valorizadas como parte do património agrícola de São Tomé e Príncipe. O conhecimento científico agora produzido poderá ajudar no desenvolvimento de novas estratégias para uma cafeicultura mais produtiva, resistente e capaz de melhorar a vida dos agricultores.

Fonte: Carvalho, M. dos R. P. et al. “Genetic Diversity and Agronomic Performance of Coffee – Genotypes in Organic Agroforestry Systems of São Tomé.” Coffee Science, 21, 2026.

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