Deputados destituem presidente da Assembleia Nacional Celmira Sacramento

A sessão, que decorreu na Universidade de São Tomé e Príncipe, foi presidida pelo segundo vice-presidente do parlamento, Arlindo Barbosa (MLSTP) e contou com a presença de 29 deputados, sendo 18 do MLSTP, 2 do Movimento Basta e também 9 deputados da ADI que apoiam o Governo.

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Rádio Somos Todos Primos

Vinte e nove deputados são-tomenses, reunidos sob forte proteção policial, na Universidade de São Tomé e Príncipe, destituíram hoje a presidente da Assembleia Nacional, Celmira Sacramento, que acusam de “falta de sentido de Estado” e violação “de forma insistente e recorrente” da Constituição e do regimento parlamentar.

“É definitivamente suspensa de funções a senhora deputada Celmira do Sacramento, no cargo de presidente da Assembleia Nacional da XII legislatura”, lê-se na resolução.

Segundo o documento, Celmira Sacramento é substituída interinamente pelo vice-presidente do parlamento Abnildo D’Oliveira, que anunciou recentemente a saída do grupo parlamentar da ADI assumindo-se como deputado independente.

O novo presidente do parlamento deverá ser eleito dentro de 10 dias, segundo a resolução.

O texto da resolução proposto pelo deputado Abnildo D’Oliveira, aponta que as atitude e comportamento de Celmira Sacramento tem sido “a todos os níveis deploráveis” e reflete a fakta de sentido de estado e responsabilidade de quem por sinal deve dar exemplo, enquanto titular deste órgão colegial”.

A sessão, que decorreu na Universidade de São Tomé e Príncipe, foi presidida pelo segundo vice-presidente do parlamento, Arlindo Barbosa (MLSTP) e contou com a presença de 29 deputados, sendo 18 do MLSTP, 2 do Movimento Basta e também 9 deputados da ADI que apoiam o Governo.

Os deputados acusam a presidente da Assembleia Nacional, Celmira Sacramento, de violar “grosseiramente” as leis e o regimento, o que consideram que “indiscutivelmente não prestigia e muito menos dignifica a imagem e o bom nome” do parlamento.

No início da tarde, deputados da Ação Democrática Independente (ADI) opositores ao Governo de São Tomé e Príncipe entraram em confronto com a polícia para impedir a sessão plenária convocada à revelia da presidente do parlamento.

Inicialmente, a sessão estava prevista decorrer, como habitual, na sede do parlamento, mas os deputados foram impedidos de aceder às instalações, que estavam encerradas.

Um grupo, que afirma ser a maioria dos deputados, acabou por convocar a sessão plenária para as instalações da Universidade de São Tomé e Príncipe, mas deputados da ADI opositores ao Governo bloquearam o acesso à alguns deputados e entraram em confronto com a polícia.

No final, com recurso à força, as forças de segurança conseguiram fazer entrar na universidade todos os deputados da maioria parlamentar.

A crise parlamentar começou na terça-feira. A sessão foi suspensa pela presidente do parlamento, após discussões acesas entre parlamentares pró e contra uma moção de censura apresentada por uma parte de deputados da ADI, contra o Governo do primeiro-ministro, Américo Ramos, mas que acabou por ser retirada no dia seguinte.

No entanto, a falta de consenso prevaleceu no início da sessão de sexta-feira, porque o grupo de deputados da ADI que fazem oposição ao Governo não permitiu a reintegração de uma deputada eleita que apoia o Governo, o que levou a presidente do parlamento a encerrar a sessão sem a discussão dos assuntos da ordem do dia.

No mesmo dia, a presidente da Assembleia comunicou o cancelamento das sessões previstas para esta semana, sem indicar novas datas nem reunir a conferência de líderes, o que levou o MLSTP a anunciar que ponderava avançar com um requerimento para a sua destituição.

Numa “comunicação oficial” à nação publicada na página de Facebook da Assembleia Nacional, a presidente afirmou que “não se pode aceitar a realização de reuniões plenárias à revelia das disposições constitucionais e regimentais, designadamente quando não ocorre a condução, organização e presidência da sessão pela presidente da Assembleia [Nacional], que se encontra no país em pleno exercício dos seus poderes e competências”.

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